segunda-feira, 31 de março de 2014

Sarau Cultural


APRESENTAÇÃO

          Este projeto, intitulado de “Sarau Cultural” foi desenvolvido com as turmas das 3ª séries do Ensino Médio, do Colégio Estadual Manoel Vicente Souza, na disciplina de Língua Portuguesa e busca integrar as ações didáticas pedagógicas com as atitudes projetadas para garantir a utilização e dinamização da literatura na escola, visando o crescimento intelectual dos educandos, além de proporcionar, de modo geral, momentos de prazer aos participantes.
É um momento para a soma de conhecimentos, descobertas e vivências coletivas.
Além disso, o sarau é também um momento de tomada de consciência, pois a cultura desperta a sensibilidade das pessoas para a realidade à sua volta e as estimula a refletir sobre ela a partir de outras linguagens. 
O Sarau representa o ápice do trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo, em sala de aula e por meio de atividades extra classe. 

Foi um trabalho fantástico! Sem esses alunos não seria possível alcançarmos o resultado desejado!
O apoio irrestrito da gestora Karla Santana e das coordenadoras Rita Barretos e Bernardete, foi fundamental para o resultado estético final.




































Projeto completo no link abaixo.


sexta-feira, 28 de março de 2014




Olá alunos queridos!!!!!

A educação do Tocantins continua de greve. Enquanto as aulas não reiniciam, leiam, estudem, pois as aulas estão interrompidas, mas a aprendizagem continua.  Deixei umas atividadezinhas tranquilas para entreter vocês nesses dias. Quando retornamos, me apresentem, resolvidas.


Abraços e ânimo!!!!!!


Atividade 3º ano 2014

Colégio Estadual Manoel Vicente Sousa

3ª série                 Noturno                     Turma  33.06


TEXTO PARA INTERPRETAÇÃO 


O PENTEADO
          Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelhinho. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as últimas pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
- Senta aqui, é melhor.
Sentou-se. “Vamos ver o grande cabeleireiro”, disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tato aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por descaso, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao céu que eles fossem tão longos como os da Aurora1, porque não conhecia ainda essa divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parece enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa… Uma ninfa! Todo eu estou mitológico. Ainda há pouco, falando dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Tétis2, risquei Tétis, risquemos ninfa; digamos somente uma criatura amada, palavra que envolve todas as potências cristãs e pagãs. Enfim, acabei as duas tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas? Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada. Juntei as pontas das tranças, uni-as por um laço, retoquei a obra alargando aqui, achatando ali, até que exclamei:
- Pronto!
- Estará bom?
- Veja no espelho.
Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me depois sobre ela, rosto a rosto, mas trocados, os olhos de uma na linha na boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu.
- Levanta, Capitu!
Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e…
Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam, vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso, atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas… Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. Com dezessete Des Grieux3 não pensava ainda na diferença dos sexos.
(Machado de Assis. DOM CASMURRO. Capítulo 33, Editora Martim Claret, São Paulo, 2004)
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Notas Explicativas.
  1. Aurora – Segundo a mitologia grega, Aurora era a deusa da manhã, que tinha a incumbência de abrir para o Sol as portas do Oriente.
  2. Tétis – Existem duas Tétis referidas pela mitologia grega. Uma, cuja transcrição literal seria Tethys, é a filha de Ouranos com Gaia, e casada com o Oceano, do qual teve mais de três mil filhos, que são todos os rios do mundo. A segunda Thethys é uma das nereidas, filha de Nereu, o Velho do Mar, e de Dóris. É uma divindade marinha e imortal, a mais célebre de todas as nereidas. Possuía o dom da transformação. É de todo certo que Machado de Assis se refere a esta última, pela coincidência da nereida com Capitu, de quem se fala neste trecho: os “olhos de ressaca”, isto é, olhos que lembram o movimento das ondas quando se lançam contra qualquer obstáculo; e o poder de transformação de Capitu, dissimulada e astuciosa.
  3. Des Grieux – Personagem do romance Manon Lescaut (1731) de autoria do Abade Prévost (1697-1763). Machado de Assis refere-se ao fato de que Des Grieux, cedo destinado a pertencer à Ordem de Malta, viveu seus anos de adolescência para os estudos. Só depois de abandonar a escola de Amiens é que conhece Manon Lescaut, que acaba perturbando definitivamente sua vida, graças a uma paixão vulcânica que supera todos os princípios morais e os interesses de família e de carreira.

Assinale a única opção correta a respeito do texto:
  1. O trabalho com o penteado era vagaroso…
a. (   ) por inexperiência
b. (   ) por vontade própria
c. (   ) por falta de pressa
d. (   ) por todos os motivos acima
2. O trabalho com o penteado terminou:
a. (   ) por vontade dele
b. (   ) por vontade dela
c. (   ) contra a vontade dele
d. (   ) contra a vontade dela
3. O narrador escreve:
a. (   ) para o leitor
b. (   ) para si mesmo
c. (   ) para a namorada
d. (   ) para um parente
  1. As ideias expostas pertencem à época:
a. (   ) do beijo
b. (   ) do casamento
c. (   ) das memórias
d. (   ) do beijo e das memórias
  1. O beijo aconteceu porque:
a. (   ) ela permitiu
b. (   ) ele permitiu
c. (   ) o momento foi propício e ela permitiu
d. (   ) o momento foi propício e ele permitiu
  1. O beijo despertou no narrador um sentimento de:
a. (   ) orgulho
b. (   ) vaidade
c. (   ) medo
d. (   ) de orgulho e vaidade
  1. A sensualidade dos personagens está:
a. (   ) presente
b. (   ) exagerada
c. (   ) presente e contida
d. (   ) presente e exagerada
  1. A cena se passa:
a. (   ) numa sala
b. (   ) num quintal
c. (   ) numa praça
d. (   ) num campo
  1. A descrição da cena é:
a. (   ) pobre
b. (   ) rica
c. (   ) minuciosa
d. (   ) rica e minuciosa
  1. As personagens são:
a. (   ) típicas
b. (   ) individuais
c. (   ) irreais
d. (   ) ideais

Atividade 2º ano 2014

Colégio Manoel Vicente Sousa

2ª série    Noturno    Turma 23.07



TEXTO PARA INTERPRETAÇÃO

 O MULATO  
A personagem principal da obra “O Mulato” de Aluísio de Azevedo chama-se Raimundo José da Silva. É um atraente e culto mestiço de olhos azuis que afronta a sociedade maranhense por não perceber a sua condição social. A obra foi escrita quando o autor tinha vinte anos de idade e morava no Estado do Maranhão, em 1881, numa época em que o Brasil ansiava por mudanças. A questão abolicionista era tema palpitante na corte, mas o Maranhão mantinha-se como uma das províncias mais escravistas do Brasil. A pesar da obra ser considerada do movimento Naturalista, é impossível não perceber traços do Romantismo, uma vez que o enredo se desenrola numa atmosfera de mistério que termina em uma trágica história de amor. O trecho abaixo conta como o Dr. Raimundo ficou sabendo que era filho de uma escrava com um português, fato que ele não tinha conhecimento até então.
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Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um silêncio:
- Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor porém não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!… Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses!… O senhor é um moço muito digno, muito merecedor de consideração, mas… foi forro à pia, e aqui ninguém o ignora.
- Eu nasci escravo?!…
- Sim, pesa-me dizê-lo e não o faria se a isso não fosse constrangido, mas o senhor é filho de uma escrava e nasceu também cativo.
- Raimundo abaixou a cabeça. Continuaram a viagem. E ali no campo, à sombra daquelas árvores colossais, por onde a espaços a lua se filtrava tristemente, ia Manoel narrando a vida do irmão com a preta Domingas. Quando, em algum ponto hesitava por delicadeza em dizer toda a verdade, o outro pedia-lhe que prosseguisse francamente, guardando na aparência uma tranquilidade fingida. O negociante contou tudo o que sabia.
- Mas que fim levou minha mãe?… a minha verdadeira mãe? perguntou o rapaz, quando aquele terminou. Mataram-na? Venderam-na? O que fizeram com ela?
- Nada disso; soube ainda há pouco que está viva… É aquela pobre idiota de São Brás.
- Meus Deus! Exclamou Raimundo, querendo voltar à tapera.
- Que é isso? Vamos! Nada de loucuras! Voltarás noutra ocasião!
Calaram-se ambos. Raimundo, pela primeira vez, sentiu-se infeliz; uma nascente má vontade contra os outros homens formava-se na sua alma até aí limpa e clara; na pureza do seu caráter o desgosto punha a primeira nódoa. E, querendo reagir, uma revolução operava-se dentro dele; ideias turvas, enlodadas de ódio e de vagos desejos de vingança, iam e vinham, atirando-se raivosos contra os sólidos princípios da sua moral e da sua honestidade, como num oceano a tempestade açula contra um rochedo os negros vagalhões encapelados. Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos: “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias.
- Mulato!
(Aluísio de Azevedo. O MULATO. L&PM Editores, Porto Alegre, 2002)
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Assinale a única opção correta a respeito do texto.
1. O texto nos prova que o romance trata o assunto do preconceito:
a. (   ) racial         b. (   ) político       c. (   ) religioso      d. (   ) econômico
2. Fala-se de um prejuízo que se deve entender como:
a. (   ) sentimental      b. (   ) econômico       c. (   ) religioso    d. (   ) social
3. Raimundo é filho de pai:
a. (   ) preto       b. (   ) mulato     c. (   ) branco       d. (   ) escravo
4. O pedido de casamento é recusado por:
a. (   ) causa da condição econômica do pretendente
b. (   ) causa da condição social do pretendente
c. (   ) temor à reação da sociedade
d. (   ) haver outro pretendente
5. Raimundo e Manoel eram, respectivamente:
a. (   ) afilhado e padrinho
b. (   ) filho e pai
c. (   ) genro e sogro
d. (   ) sobrinho e tio
6. A verdadeira mãe de Raimundo estava:
a. (   ) escrava      b. (   ) casada        c. (   ) viva    d. (   ) morta
7. Até aquele momento, Raimundo era um homem:
a. (   ) ambicioso      b. (   ) desonesto      c. (   ) escravo      d. (   ) honesto
8. Raimundo foi declarado livre da escravidão na época de:
a. (   ) seu nascimento       b. (   ) seu batismo       c. (   ) sua infância       d. (   ) juventude
9. Raimundo deve ter sido criado:
a. (   ) num ambiente de riqueza
b. (   ) ignorante da sua situação de origem
c. (   ) sabedor da sua situação de origem
d. (   ) num ambiente de riqueza e ignorante da sua situação de origem
10. Manoel considera Raimundo um pretendente:
a. (   ) indigno       b. (   ) estranho      c. (   ) amigo     d. (   ) pobre
11. Manoel era:
a. (   ) rico      b. (   ) pobre    c. (   ) político     d. (   ) rico e negociante
12. Raimundo pediu em casamento:
a. (   ) a prima     b. (   ) sobrinha      c. (   ) a afilhada     d. (   ) a tia
13. Raimundo tinha a aparência física de:
a. (   ) branco      b. (   ) preto       c. (   ) índio     d. (   ) estrangeiro
14. Sabendo da existência da mãe, a primeira atitude de Raimundo nos revela:
a. (   ) ódio       b. (   ) surpresa       c. (   ) desespero       d. (   ) descrença

Atividade 1ª série 2014

Colégio Manoel Vicente Sousa
1ª série              Noturno         Turma 13.01

Leia o conto abaixo, que está desordenado e coloque na ordem adequada. Copie no caderno.





Conto de fadas para mulheres do século 21

(Luís Fernando Veríssimo)


Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas, uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...

E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: 'Nem mor... ta!'.

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.

Então, a rã pulou para o seu colo e disse: